sábado, 14 de julho de 2007

Software Livre na Educação - perspectivas Freirianas

No dia 11 de julho último eu e a professora Adriana Neves estivemos no 16° COLE (Congresso de Leitura e Escrita) na UNICAMP, apresentando uma comunicação oral cujo objetivo era associar os princípios do filosofia do Software Livre com a obra do um dos maiores educadores brasileiros: Paulo Freire.
Abaixo pode-se ver o quadro associativo de alguns dos princípios freirianos e a filosofia do Software Livre, discutido por nós nos congresso. Esperamos que gostem.

PENSAMENTO FREIRIANO

SOFTWARE LIVRE

Estudar não é um ato de consumir idéias, mas de criá-las e recriá-las.”

Só o software livre pode ser criado e recriado por qualquer um que o deseje e tenha conhecimento técnico para isso .

Ninguém liberta ninguém, ninguém se liberta sozinho: os homens se libertam em comunhão.”

Taí as comunidades de software livre que não o deixam mentir: Programadores, usuários avançados, usuários inexperientes, simpatizantes, educadores etc., todos unidos procurando liberta-se das amarras dos monopólios do software proprietários.

Não sou apenas objeto da História mas seu sujeito igualmente. No mundo da História, da cultura, da política, constato não para me adaptar mas para mudar.”

Como seres históricos constatamos para mudar, transformar. Bem, tente inventar, mudar com o software proprietário. Se a Microsoft por exemplo decidir que o ícone para salvar um documento continuará sendo um disquete, mesmo que muitos computadores já não venham nem mais com esse dispositivo, continuará sendo, pois nem mesmo essa pequena alteração é permitida.

Gosto de ser gente porque a História em que me faço com os outros e de cuja feitura tomo parte é um tempo de possibilidades e não de determinismos.”

Quantas possibilidades criativas de invenção e reinvenção dos usos nos permite o software livre? “Todas”. E o software proprietário? Nenhuma que não tenha sido previamente determinada pelo seu “dono”.

"A consciência do mundo e consciência de si como ser inacabado necessariamente inscrevem o ser consciente de sua inconclusão num permanente movimento de busca (...)."

Os softwares livres se apresentam sempre como inacabados e toda colaboração é sempre bem vinda. O que leva a esse movimento de busca coletiva.


"Não basta saber ler que Eva viu a uva. É preciso compreender qual a posição que Eva ocupa no seu contexto social, quem trabalha para produzir a uva e quem lucra com esse trabalho."

Não basta aprender a pilotar o mouse e o teclado, é preciso compreender como um software é construído, quem trabalhou para produzí-lo e quem lucrará com ele.


"Aos esfarrapados do mundo e aos que neles se descobrem e, assim descobrindo-se, com eles sofrem, mas, sobretudo, com eles lutam."

Aos excluídos digitais do mundo e aos que neles se descobrem e, assim descobrindo-se, com eles sofrem, mas, sobretudo, com eles lutam.

"Quando penso em minha Terra, penso sobretudo no sonho possível –mas nada fácil – da invenção democrática de nossa sociedade."

Como inventar democraticamente se ainda continuamos tecnicamente dependentes de monopólios internacionais?

"Mulheres e homens, nos tornamos mais do que puros aparatos a serem treinados ou adestrados. Nos tornamos seres da opção, da decisão, da intervenção no mundo. Seres da responsabilidade."


Mulheres e homens, nos tornamos mais do que puros pilotos de mouse e teclado a serem treinados ou adestrados. Nos tornamos seres de opção, da decisão, da intervençaõ na criação dos softwares de acordo com as nossas necessidades de intervenção no mundo. Seres de responsabilidade.